Cluster política na era da interação

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Ouvir nunca esteve tão na moda, falar nunca foi tão brega.

Parece que pelo menos no quesito resultados, apesar da resistência, chegamos finalmente na era da cluster política. O personalismo político vive uma crise sem precedentes, onde a antes utópica ideologia da colaboração, impõe presencialmente hoje uma revolução relacional e informacional na camada das decisões públicas.

As tecnologias são meras plataformas para uma explosão de manifestações nucleares de demandas direcionadas não mais para um indivíduo, mas para, ou, contra coletivos.

Num passado não muito distante se dizia que o voto era na pessoa e não no partido, por exemplo. Ainda se diz, mas as manifestações em grupo, ou vozes das ruas (virtuais pressupostas) hoje atacam os partidos e atiram ao julgamento coletivo as antes seletas personalidades. Não que isso seja novidade, pois bem antes dos aplicativos sociais, já se generalizavam os julgamentos. Sim, mas era povo contra políticos e não povo contra partido a, b ou c. Hoje se sabe que era mera estratégia dos meios de comunicação para valorizar sua interlocução.

Pelo menos um dos lados desse combate usou de maneira intuitiva as ferramentas para se organizar não em estruturas formais, tradicionais, mas em coro. Fosse caçando “likes” ou mesmo concordando, núcleos se formaram de maneira natural, criando um cluster que imprime como resultado colaborativo um conceito relacional e genérico de condenados, absolvidos ou em purgatório politicamente referindo-se.

A comunicação tradicional vem despencando em audiência justamente porque não ocupa mais o lugar de líder das ideias. Pelo menos na camada mais ativa dos meios digitais a opinião não se sustenta como antes, nos métodos unilaterais de fomento de conteúdo.

É urgente que os conceitos se moldem no sentido do diálogo coletivo nuclear. A notícia virou tema e não norte, eis a fórmula do impasse. Por mais completa que seja uma notícia, ela virou mera plataforma de debate e não conclusão estática. O caminho menos sinuoso para se obter resultados na comunicação pública é o fomento da solidariedade, interação pública com o intuito não mais de informar, mas de SE informar.

A internet se mostrou um cluster gigantesco de resultados colaborativos, gerando informação evolutiva das ideias e julgando-as de maneira bruta. O segredo está na lapidação do “feedback” e não no convencimento unilateral que cala o retorno.

Jean Sestrem

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