A boa política se aprende com a dona de casa

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Qualquer pessoa sabe que não pode comprar com um recebimento extra ou uma poupança uma despesa além de seus rendimentos. Se você não tem condições hoje de aumentar seus gastos a aproximadamente mil reais por mês com combustível, IPVA, multas, seguro privado, seguro obrigatório, manutenção, pneus entre outras despesas, você não pode comprar um carro a vista com suas economias, muito menos a prazo.

Seu sonho de ser mãe quantas vezes foi suspenso ou prorrogado por anos, por você saber que ter um filho é uma missão também financeira e que praticamente não termina nunca ao longo de toda a sua vida? Um compromisso também de custeio fez você repensar várias vezes não é mesmo? Todos os pais querem dar o melhor a seus filhos.

Sabemos também que custos fixos inviabilizam por longos periodos nossa capacidade de investimento, enquanto não damos conta de nossas contas não conseguimos fazer reformas, adquirir o imóvel sonhado, nem poupar.

Assim funciona o custeio público, muitos políticos, com o prazo apertado, pois temos eleições ano sim, ano não, acabam por demandar suas articulações na busca de conquistas que geram sentimentos temporários positivos para colaborarem com seus projetos de marketing político. Correm atrás de construções, prédios, inaugurações, coisas que dão resultado rápido para engordar suas contas de votos.

Como em sua casa, no seu orçamento, não cabe um carro mesmo que você tenha economias para adquiri-lo, por conta do custeio mensal, às vezes você pode não compreender porque um prefeito não aceita verbas para construir mais creches ou postos de saúde. Ele terá que amargar enquanto gestor não aceitar que construam mais um prédio que demande uma fatia significativa de orçamento para o custo mensal, enquanto o oportunista corta a fita e vai embora com o crédito eleitoral, e o outro terá que ficar com um déficit orçamentário valioso mensal sem planejamento sustentável, além de infringir leis rigorosas de controle fiscal.

Precisamos estar atentos a estas armadilhas, valorizar os que lutam por melhorar o serviço público, aplicando na produção e humanização destes, a médio e longo prazo. Nem sempre o belo prédio é mais importante, a bonita e ampla praça, inaugurada em seu bairro, demandará uma fatia vitalícia do orçamento público para sua manutenção, sim, é pro resto da vida.

Não adianta termos hospitais bonitos e modernos sem aquele cara de branco para nos atender, nem exames, nem medicamentos ou enfermeiras, não adianta a creche sem atendentes e professores capacitados e acolhedores, escolas sem professores qualificados e com carreiras seguras e bem remuneradas. Precisamos entender mais como cobrar da política, com mais racionalidade e lógica. Precisamos discutir não como um acadêmico, mas como pais de família, como donas de casa. Sabemos que de nada adianta um carro na garagem zero quilômetro se não temos como sustentarmos esse luxo que deveríamos ter a dignidade e o direito de usufruir custeando-o sem dificuldades.

A responsabilidade para que nossa cidade, estado e país nos ofertem o que realmente precisamos, está na qualidade de nossas demandas. Qualifiquemos melhor nossos anseios, ampliemos nossa cobrança para o campo da sustentabilidade de nossas conquistas e teremos valores diferentes na métrica de nossos direitos e nosso atendimento satisfeito.

Lembra quando pela primeira vez seu filho falou na vida que ia comprar um carro, a pergunta que você fez a ele? Não foi a: como você vai sustentar isso? Faça a mesma pergunta quando quiserem instalar um posto de saúde em seu bairro que tenha apenas uma placa de bronze reluzindo o esperto que a inaugurou e nenhum médico dentro.

Obrigado pela leitura,

Jean Sestrem

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