O TSE manda “nudes” eleitorais aos publicitários brasileiros

Diante do espetáculo do Tribunal Superior Eleitoral nos últimos dias, com a leitura do relatório do Ministro Herman Benjamin, podemos tirar algumas lições lógicas de como o marketing eleitoral era simplesmente usado para aparelhar partidos, comprar lideranças, enquadrar sistemas políticos organizados, mas principalmente, que o bicho papão do orçamento de campanhas, nada mais era do que uma máquina inteligente de fraudar a democracia. É fácil concluir com esta verdadeira autópsia do sistema eleitoral que revela o TSE, refinadamente elaborado pelos barões da política brasileira, que a produção de fato das campanhas eleitorais são infinitamente mais baratas do que as contabilizadas e financiadas pelos caixas 1, 2, 3…

Quem produz campanhas eleitorais de grande porte acaba por constrangido com os números atribuídos no argumento de custos destas. Muito distante da verdade, o orçamento de fato de uma campanha eleitoral, devidamente planilhado especificamente na atribuição do marketing e seus afluentes técnicos são na verdade serviços de mensura não parametrizáveisl, dada uma pseudo notória intelectualidade suprema ou até mesmo, dada a demanda, nominadas de “divinas”. O fato é que não há talento no mundo que custe setenta milhões de reais por uma mera assessoria política individual por um curto período. Era óbvio que havia muita podridão nesses currais do empirísmo superfaturado individual e personalizado.

Um time inteiro de produtores, cinegrafistas, redatores, pesquisadores, marqueteiros e assistentes, balizados por conceitos pré estabelecidos e muita discussão e debate interno, recheado de gênios da criatividade e interpretação por um período de noventa dias é perfeitamente capaz de elaborar uma campanha com inteligência, eficiência e eficácia sem custar bilhões. Mas o que vimos em todas as esferas é um verdadeiro terror ao debate que vise elucidar essas estruturas e sustentar de maneira crível esses custos operacionais. Até porque eles não existem. As planilhas exorbitantes e intagíveis por qualquer auditoria lógica reinaram e reinam até hoje com esse ar de “arte abstrata”, justamente para que se pudesse transitar por esses becos escuros, uma verdadeira farra de compra de apoio e financiamento criminoso de direcionamento de votos e poder.

Infelizmente não vejo grandes grupos ou renomados marqueteiros aproveitarem o momento para levantar esse debate, sob a ótica profissional de um mundo mensurável e auditável, em prol da livre concorrência de mercado.

Os meandros trazidos a baila pelo TSE através de profunda investigação na campanha de 2014, nos dá a clara evidência de que o mercado publicitário voltado para o sistema eleitoral brasileiro era sim uma arma criminosa para controle econômico das eleições. Além de um ataque imperdoável a democracia e um crime contra a profissão e contra o mercado publicitário do país.

Grandes crises sempre serviram para grandes mudanças. Espero, como muitos, que todo esse levante provoque de fato os setores da sociedade que realmente se preocupam com a lisura do processo e a ética dos procedimentos adotados pelos contratantes e pelos contratados. Se não, seremos obrigados a acreditar definitivamente que o mercado é regido puro e simplesmente por um tal talento adverso do que se chama de notório saber. Não podemos concordar com a barbaridade de para que todo o crime seja travestido de um talento singular intangível e incompreensível do ponto de vista financeiro, contábil e fiscal. Não podemos premiar o verdadeiro talento e eficiência com a negativa criminosa de valores alheios ao verdadeiro sentido de produção no marketing.

Os profissionais de publicidade não podem levar a pecha de raridades caríssimas por conta de um sistema corrupto e articulado que usa um arcabouço de argumentos abstratos para justificar aquilo que sabemos muito bem quanto custa. Sinceramente, não há o que justifique uma campanha eleitoral custar uma mínima fração do que se via sendo aplicado nas campanhas eleitorais brasileiras. Me desculpem os de maior valor agregado, mas, não há o que justifique.

Que o TSE tire desse relatório mudanças significativas para o processo eleitoral brasileiro e o mercado respire aliviado, assim como o bolso do cidadão.

Obrigado pela leitura,

Jean Sestrem

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *