Institucionalissimamente

“A inoperância dos mandatos que viraram redação de jornal. O fim das bandeiras e das lutas por meio da representação política.”

Os mandatos parlamentares não são acessíveis a muitos profissionais para que se faça uma análise operacional, porém, com uma certa experiência tanto no campo político como na comunicação pública, o que se conclui é que uma imensa confusão técnica que tem prejudicado a necessária agenda política, confundiu objetivos e desviou o foco das duas atribuições distintas.

É público e notório que os meios de comunicação pelo país, nutrem de certa forma uma preferência por algum ou alguns parlamentares de todas as camadas. Com isso, muitos outros que não conseguem acesso a imprensa, transformaram seus mandatos em caça manchetes. Estruturas foram montadas para que tudo vire notícia, mas, a agenda política do representante oficial, acabou transformada em pauta temporal. Um desastre nas vidas das pessoas, lógico.

A atenção dada a um tema, muitas vezes para na manchete, não restando interesse do parlamentar, prosseguir com a demanda como bandeira por conta do ultrapassar dos gatilhos de visibilidade.

Se não bastasse a corrupção de interesses aderentes que elegem bancadas inteiras, o que sobraria de representação real da população, acaba virando um palco trocando o representar de fato a sociedade por um representar artístico e produzido.

Assessorando alguns parlamentares pela vida, muitas vezes me deparei com a resposta: já falei disso ontem, hoje não dá mais mídia. Sinal claro de uma inversão de valores e prejuízos traumáticos para a população.

Com todo o respeito aos profissionais de imprensa que acabam assumindo esses postos e confundem assessoria de comunicação com operação política – por ignorância dos próprios parlamentares, mas é uma tarefa ética corrigir esse erro histórico e contribuirmos mais para a evolução do processo político brasileiro. É nossa obrigação orientar direito e não atrapalhar os meios de comunicação de fato que tem essa dívida com a sociedade.

Política é uma coisa, imprensa é outra. Podem se complementar, mas não se misturar.

 

Obrigado pela leitura

Jean Sestrem

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