A DOMINAÇÃO SOCIAL E PACÍFICA DOS ALGORITMOs

 

Com a revolução das redes sociais como forma de interação funcional da sociedade, o controle de conteúdo e dos resultados dele tem sido a busca frenética daquelas que dominam as funcionalidades das ferramentas de organização dos relacionamentos.

Além do que se vê, essas ferramentas evoluíram absurdamente no background codificado. A ambição de se controlar tudo que se fala, com quem se fala e, o que se lê, visando o controle ideológico de quem busca nas redes sociais convicções relacionadas a todos os temas que influenciam uma sociedade, tem dado muito certo e o sucesso podemos dizer que é consolidado. Corporações como Google e Facebook por exemplo, que lideram esse modelo, conseguiram criar uma nova cultural globalizada traduzida em tempo real que integram uma quantidade astronômica de usuários. Até ai, ferramentas espetaculares. Mas você já se sentiu invadido? Você já percebeu que depois de consultar no google sobre uma passagem aérea para um determinado ponto do país ou do mundo, imediatamente começam a pipocar diante de você anúncios convergentes e relacionados com aquilo que você buscava, dando condições e oferecendo ideias similares de toda a ordem? Pois é, o nome desse cara é algoritmo.

Os algoritmos surgiram com o discurso de facilitar a vida das pessoas que buscam toda a forma de mercado, ofertando aos usuários facilidades infinitas de acesso a oportunidades. Porém, com o sucesso do modelo, a sociedade sem perceber passou a ser dividida por gostos, atitudes, escolhas temáticas e comportamento. Os algoritmos fazem uma varredura de suas ações e lhe conduzem de maneira programática para um convívio digital pré formatado, lhe isolando de grupos que supostamente eles entendem que não lhes oferecem afinidades. Sistemas que criam de maneira cada dia mais complexa, sociedades nucleares. Quanto mais você pesquisa e interage com a rede, mais contaminado fica seu feed de notícias com direcionamento de conteúdo. Mais do que uma simples ferramenta, hoje, sistemas como o google e o facebook, podem simplesmente orientar e coordenar uma faixa de dominação pelo direcionamento de conteúdo não autoral, ou seja, podem criar um banquete ideológico sem responderem ou até mesmo serem responsabilizados pelo conteúdo.

Sei que não é o ideal fazer comparações com temas que erguem paixões, mas de uma maneira sutil, pacífica, ideologicamente justificável, ocultam esse modelo atrás de uma cortina de empreendedorismo difuso e cheio de fantasias, criando-se heróis virtuais de um mundo que superou a espionagem. Sim, pois o usuário faz questão de não só ser espionado, mas ter seus direitos autorais solidarizados em prol do atendimento de uma demanda que não é pontualmente única e vitalícia, nem exigida. As pessoas mudam de ideia e de meios de vida o tempo inteiro. Talvez, o crescimento exacerbado de ódio na internet por exemplo, pode vir de um comportamento temporal, ainda carente de maturidade, mas que acaba, eletronicamente, cerceando essas mudanças de maneira muito silenciosa e prorrogando a superação dos problemas.

Isso não é uma teoria da conspiração ou viagem ao astral. São fatos que hoje fazem parte de nosso dia a dia em tempo real. Quanto mais liberamos gostos e executamos comportamentos nas redes, mais nos tornamos seguidores daquilo que pensávamos ontem. Isso cria um espiral ideológico transformador do futuro baseado no passado.

Obviamente que não somos obrigados a nada, mas para não sermos de fato, devemos tomar posse da consciência de que essas coisas nos atrasam, porque tudo que se baseia em dados, não é ideia nova, alguém ja viveu, até mesmo você. Por isso, dentro de sua liberdade, é sempre bom repensar hábitos e comportamentos, questionar-se quanto pensamentos e buscar sempre evoluir cada situação que se viveu, com o que se quer viver. Independente de ontem, o amanhã se faz presente todos os dias e não podemos nos deixar transformar pelo que ja vivemos ou pensamos, no sentido de parar no tempo apesar de não parecer. Saia da bolha primeiramente entendendo que estão lhe observando e seu amanhã não pode ser de Déjà vu todos os dias. Se você descuidar dessa consciência crítica, você terá em seu feed diariamente notícias velhas em embalagens novas, pois a ideologia do conteúdo estará atendendo um interesse pressuposto por uma máquina e não por sua capacidade de evoluir e superar dificuldades ou ideias, até ídolos.

O processo aqui citado, além do direcionamento de conteúdo, age também nas sugestões de amizade, nas promoções de produtos e serviços, trabalho, educação, problemas de saúde etc…

Como falei anteriormente não é uma teoria da conspiração quando você tem a consciência dos riscos que corre ao permanecer em um núcleo pré programado, sem estabelecer relações com outras ideias e mundos fora da bolha algorítmica. Basta você, com a liberdade que tem, abrir seu leque de opções questionando a sua própria convivência digital com tudo que alimenta a máquina.

Obrigado pela leitura,

Jean Sestrem

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